Mais de 600 alunos com deficiência devem ingressar na UFPI em 2018

O ingresso de alunos com deficiência é um ganho para todos.

Por J Oliveira 01/02/2018 - 09:29 hs

Para 2018, estão sendo oferecidas, no Ensino Superior, 506 vagas para estudantes com deficiência para ingresso como cotistas em 78 cursos de graduação da Universidade via SISU. No Ensino Técnico, são disponibilizadas um total de 130 vagas nos colégios de Bom Jesus, Floriano e Teresina para os cursos técnicos em agropecuária, enfermagem e informática,com ingresso via processo seletivo.

A quantidade de vagas atende proporcionalidade desse segmento na população piauiense, apontada pelo último censo do IBGE, como 27,57% para pessoas com algum grau de deficiência. 

De acordo com a Universidade, a meta é levar inclusão a alunos com diferentes quadros de deficiência, considerando as singularidades daqueles que compõem o público-alvo da educação especial: pessoas com altas habilidades/superdotação, pessoas com transtorno do espectro autista; e pessoas com deficiências física, auditiva e/ou visual.

A paralisia cerebral rouba de Márcia o controle dos movimentos das mãos. A falta de coordenação motora torna muito difícil escrever e lidar com desenhos e costuras, que fazem parte da rotina no Curso de Moda, Design e Estilismo na UFPI, do qual Márcia é aluna do 2º período. "Quando eu passei, nem acreditei. Fiquei muito feliz!", conta a jovem, que já é formada em técnico em Administração, por gosto exclusivo da mãe, já que Moda sempre foi seu sonho. 

"O ingresso de alunos com deficiência é um ganho para todos. Além do próprio estudante, que passa a exercitar esse direito, ganham os professores, que repensam suas práticas em sala de aula e ganham os colegas, que desfrutam da convivência com o aluno deficiente, com oportunidade de desenvolver empatia", avalia o Professor Sinimbu Neto, Superintendente de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico da UFPI.

Desde 2005, a Universidade oferece vagas a esse público por meio de editais do Programa de Acessibilidade na Educação Superior (INCLUIR), do MEC. De lá pra cá, a Instituição participou de vários projetos para integrar os estudantes e formou alunos com deficiência em, pelo menos, 16 cursos entre 2009 e 2017. Para o Pró-Reitor de Ensino de Graduação, Nelson Juliano, à medida que a UFPI se transforma para melhor acolher a esse público, mais se aproxima do que sociedade espera da Instituição.

“Agora, com as cotas, temos um contingente relevante de pessoas com deficiência, que, necessariamente, estarão ocupando essas vagas reservadas. Isso tem exigido um olhar diferenciado por parte da UFPI desde o atendimento especial já no acolhimento a esse aluno, no ato da matrícula institucional, que será realizada com prioridade e em ambiente acessível; passando por mudanças mais amplas nos espaços da universidade, que incluem, entre outras providências, instalação de mais rampas e de placas em braille, para facilitar aos cegos a localização nos campi. E a convivência com essa pluralidade resulta em aprendizado geral para todos”, avalia.