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Área queimada em São Raimundo Nonato levará até 20 anos para se recuperar

O alerta é do biólogo Arnaldo Magalhães.

13/09/2021 19h16 Atualizada há 2 semanas
Por: Redação Geral
Área queimada em São Raimundo Nonato levará até 20 anos para se recuperar

O incêndio que atinge parte do corredor ecológico em São Raimundo Nonato, uma das maiores áreas de preservação da caatinga do País, provoca uma perda de biodiversidade incalculável. O alerta é do biólogo Arnaldo Magalhães, professor da Universidade Federal Vale do São Francisco e que ajuda no resgate de animais na região.

De acordo com o professor, o impacto no ecossistema da região é tão grande que levará de 10 a 20 anos a recuperação das áreas atingidas. “Esse tempo pode ser reduzido com o plantio de árvores para recuperar as áreas destruídas”.

Mortes de animais

Ao dar suporte emergencial nas queimadas em São Raimundo Nonato, Arnaldo Magalhães encontrou animais mortos e afirma que os mais afetados são os de pequeno e médio portes.

“A perda de animais nessas áreas é inestimável, sobretudo os pequenos animais que têm o menor poder de mobilidade como lagartos, serpentes, pequenos roedores e animais em vivem enterrados. Eles achando que estariam protegidos nos buracos, algumas espécies de tatus, lagartos e serpentes e como as altas temperaturas chegam nas tocas acabam matando os animais”. Em medições que fez após fogo, as temperaturas chegaram de 60 a 70 graus celsius. 

Circulou fotos de um macaco carbonizado em um bambuzal, e o biólogo disse que não avistou a situação e que a vegetação nas imagens não é de caatinga. 

“Não temos estimativas de animais mortos, devido a densidade da mata. Diferentes fotos circularam, a maioria não condiz com animais da região ou fotos locais”.

O fogo afetou o ecossistema dos roedores como mocó, preás, além de ninhos de pombinhas da região e os anfíbios que nesse período ficam enterrados, devido a falta de água. 

Arnaldo crê que muitos animais se salvaram, devido a fumaça que fez o alerta de perigo. Segundo ele, a queimada causa um desequilíbrio ao ecossistema que afeta toda cadeia de biodiversidade na região.

Nesta segunda-feira (13), ainda existem focos de incêndios. Após encerrar a operação, Arnaldo informou que voltaram a região para fazer um levantamento mais preciso dos prejuízos. Um levantamento preliminar foi entregue a chefia do Parque Nacional Serra da Capivara.  

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