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Bom Jesus: Aos 94 anos, homem realiza sonho da esposa de casar na igreja

Casal está junto há 40 anos.

12/06/2019 09h00Atualizado há 2 meses
Por: João Victor
Fonte: G1

Ariolino Araújo realizou, aos 94 anos, o sonho da esposa, Francisca Antônia de Sousa, de 63 anos, de casar na igreja, após quatro décadas de união e muitos desafios superados. Os dois se casaram em 26 de janeiro deste ano, dias após completarem 40 anos de casados no civil. O segredo para um relacionamento duradouro e feliz, segundo os dois, é muita tolerância diante dos defeitos do outro, resiliência diante das dificuldades e união diante dos desafios.

Com a ajuda dos filhos, os dois reuniram a família e os amigos na cidade onde se conheceram, Bom Jesus, e realizaram um sonho antigo. Tudo foi organizado em apenas dois meses, com trabalho intenso da caçula do casal, Edneia.

“Foi lindo, eu não esperava que fosse ser tão bonito. Minha filha emagreceu nessa organização. Enfeitou, chamou fotógrafo, tive que ir na 'cidade' fazer maquiagem, cheguei já na hora de casar. Nunca tínhamos tentado porque a situação financeira não dava, depois ficamos doentes e eu jamais pensei que ainda aconteceria. Mas a minha filha fez e Deus ajudou”, lembra Francisca com um enorme sorriso.

Ariolino, mais calado, concorda com a esposa e diz que mesmo diante das dificuldades, “não faltou nada” na festa. Segundo ele, o casamento na igreja era uma promessa que havia feito à esposa logo que se casaram, apenas no civil, quando ele tinha 54 anos e ela, 23.

“Nós casamos no religioso, mas ele disse que era uma promessa e eu tinha o sonho de casar toda de branco no religioso. E ele dizia: ‘um dia na nossa terra, a gente chama o padre, mata um boi, damos comida pra todo mundo, fazemos uma festa e você realiza seu sonho’. Aí meus filhos arrumaram isso pra comemorar nossos 40 anos de casados”, conta ela.

O casamento foi um desafio porque aconteceu a 48 km da sede do município de Bom Jesus, no povoado Parabatins. Não havia maquiadoras, doceiras ou mesmo quem fizesse o bolo de casamento no povoado. Muitas coisas precisaram ser levadas de carro por 600 km, como os docinhos, que foram comprados em Teresina. O bolo viajou quase 50 km, sendo preparado no Centro de Bom Jesus.

“Mas no fim tudo deu certo”, comemora ela.

Encontros e desencontros

Ela fala da “terra” dos dois se referindo à cidade de Bom Jesus, onde os dois se conheceram, mas de onde se mudaram antes mesmo de ficar juntos.

Ariolino tinha 50 anos quando partiu para Brasília e em seguida para São Paulo, logo que a irmã caçula se casou. A mãe de Ariolino, antes de morrer, pediu a ele, que estava na época com 23 anos, que cuidasse dos irmãos mais novos. Ele cumpriu a promessa.

“Foi só depois que casei minha irmã que fui atrás de seguir minha vida, fazer minhas coisas, e fui embora”, conta ele.

Francisca, então com 16 anos, chegava a Bom Jesus para morar com a família, e sequer sonhava conhecer o amor da vida inteira por uma fotografia. Ela ficou amiga de uma prima de Ariolino, na casa de quem viu uma foto dele.

“Eu me apaixonei por uma foto dele de reservista, desse tamanho [diz mostrando uma distância de pouco mais de cinco centímetros entre polegar e indicador]. E eu falei que eu iria casar com ele, que eu queria aquele homem pra mim”, diz.

Foi somente quatro anos depois que os dois se conheceram pessoalmente, quando Ariolino chegou a Bom Jesus para visitar um irmão.

“A prima dele chegou lá em casa e disse que ele estava lá, mas já estava indo embora. Eu tirei as roupas de ir pra roça e cheguei lá quando ele já estava se despedindo para ir embora. Fingi que queria o endereço da irmã dele, mas ele não tinha, aí me deu o dele. No fim foi melhor, porque eu queria era o endereço dele mesmo”, diz ela rindo alto.

A partir de então, os dois passaram três anos se correspondendo por cartas. Ela em Bom Jesus e ele em São Paulo. Depois, ela se mudou para o Rio de Janeiro e finalmente para São Paulo. Foi lá, três anos depois do primeiro contato, que os dois se casaram.

“Nunca sentimos a diferença de idade”

Ela diz que no início não quis contar a decisão do casamento para a mãe, porque sabia que ela não concordaria.

“A minha família criticava muito, eu casei sem falar com minha mãe, porque ela também casou com um homem mais velho e dizia que ‘velho era enjoado’, mas eu disse: ‘ninguém vai dar pitaco, não vou aceitar. Eu escolhi e quero ele e pronto'”, diz Francisca.

Os dois tiveram o primeiro filho logo no primeiro ano de casamento: Wagner hoje mora em Brasília. Em seguida vieram Edna e Edneia. Ela lembra que, às vezes, quando saía com os filhos, o marido era confundido com o avô das crianças. Confusão que a própria filha caçula, ainda com pouca idade, fazia questão de desfazer.

“Ela ficava dizendo: ‘por que as pessoas dizem que ele é meu avô? Ele não é avô, é meu pai’. Mas eu ia para qualquer lugar com ele, isso nunca foi problema. Eu nunca pensei na minha vida em casar com homem novo. Eu via eles só bebendo, nas farras, não queria isso pra mim”, diz.

Ariolino diz, também, que isso não fez diferença para ele e que desde o início as dificuldades não importaram. “Nunca tive dúvidas de que ficaria com ela, desde o início eu sempre soube”, garantiu.

A diferença de idade só foi decisiva para a quantidade de filhos que tiveram. Por ela, teriam tido mais alguns, mas Ariolino tinha medo de, já idoso, deixar a mulher sozinha para cuidar de crianças muito pequenas.

Unidos vencendo desafios

Foi somente cerca de 20 anos depois de casados que os dois finalmente voltaram para Bom Jesus. O sonho de Ariolino era viver na cidade onde nasceu e cresceu, mas problemas de saúde dos dois mudaram seus planos.

Devido a complicações renais que debilitaram muito a saúde de Francisca, ela teve que passar a morar em Teresina, onde realiza sessões de hemodiálise três vezes por semana. Ele poderia viver no interior, mas ficou completamente cego por conta de complicações do glaucoma em 2005.

Ela diz que encara tudo isso como um desígnio de Deus.

“Quando ele ficou cego, ficou muito triste, chorava muito, mas eu dizia: ‘se ele cegou você, era pra você ficar comigo, eu com essa doença e você assim, e nós tínhamos que passar por isso, não podemos reclamar, tudo é por Deus!’”, recorda.

Ela foi diagnosticada ainda com dois cânceres, na tireoide e no rum, que tiveram diagnóstico e cura rápidos.

O segredo de uma união duradoura

Francisca diz que é comum perguntarem aos dois qual o “segredo” para um casamento longo e feliz. Ela é categórica ao dizer que é a tolerância.

“O segredo é a tolerância. Temos altos e baixos, mas vamos levando. Quando um fala mais aborrecido, o outro entende. O que temos é que compreender o outro, porque todos temos defeitos, mas conseguimos superar isso. Além disso, muito companheirismo”, completa.

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