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Cocal dos Alves-PI: 'Como dizer não a estudantes que pedem ajuda?'

Indicado ao Prêmio 'Veja-se' na categoria Educação, o professor campeão em matemática.

26/11/2019 15h13Atualizado há 2 semanas
Por: João Victor
Antônio Amaral (Fábio Luis Teixeira Pinto/VEJA)
Antônio Amaral (Fábio Luis Teixeira Pinto/VEJA)

À primeira vista, a hora do recreio na Escola Augustinho Brandão é igual a qualquer outra: crianças e adolescentes correm, jogam bola na quadra e conversam pelos corredores do pequeno colégio estadual de Cocal dos Alves, cidade de 5.000 habitantes a 300 quilômetros de Teresina, no Piauí. A diferença aparece nos pequenos grupos com papel e caneta na mão — eles estão debatendo possíveis resoluções para complexos problemas matemáticos. Na hora do recreio? Pois é: na Augustinho Brandão, matemática é a matéria preferida da esmagadora maioria dos 325 alunos. Mesmo quem não gosta muito não faz feio. Em consequência, a escola, situada em um município pobre e carente de infraestrutura, acumula 131 medalhas na Olimpíada Brasileira da disciplina e teve mais de 70% dos formandos do ensino médio aprovados em universidades federais em 2016.

Todos os dezoito professores se empenham para motivar a criançada, mas o motor da excelência matemática é Antônio Amaral, que divide com um colega as aulas da matéria em todos os níveis. Formado em matemática pela Universidade Estadual do Piauí e filho de agricultores analfabetos que sempre insistiram que o melhor caminho para vencer na vida são os estudos, ele resolveu ser professor porque achava que seria fácil arrumar emprego. Lecionou pela primeira vez aos 20 anos, em uma turma de alfabetização de adultos, e ainda se lembra com carinho da primeira aluna que aprendeu com ele a ler e escrever. Tomou gosto pelo ensino e, aos 21, ingressou na escola em que trabalha até hoje para dar aulas de matemática a turmas desinteressadas e acostumadas a notas baixas.

A Olimpíada de Matemática mudou tudo: em 2005, ele montou uma equipe de 25 alunos que mergulharam em cálculos e aprenderam a gostar da matéria. Três deles voltaram com medalhas e revolucionaram o ambiente escolar. Hoje, em véspera de Olimpíada, até a casa de Amaral vira sala de estudo. “Como vou dizer não a um grupo que chega no sábado pedindo ajuda com exercícios? Seria como se eu me negasse a melhorar meu país”, diz o professor, pai de gêmeos de 15 anos que, claro, adoram matemática. Embora ele participe intensamente da preparação dos adolescentes para a competição, seu maior prazer mesmo é apresentar os números às crianças dos primeiros anos. “A qualidade mais bonita de Antônio é não desistir de ninguém”, diz Aurilene de Brito, diretora da escola, que trabalha junto com o professor há dezessete anos. “Ele fica extremamente incomodado quando um aluno não aprende. Insiste, insiste e acaba envolvendo até os menos aplicados.”

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