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E FORAM FELIZES PARA SEMPRE! (SÓ QUE NÃO!)

Glicia Moura é Psicóloga clínica e hospitalar.

18/01/2020 11h18 Atualizada há 7 meses
Por: REDAÇÃO

                Outro dia uma colega de trabalho me pediu para tirar uma dúvida de uma obra que ela estava lendo(A psicanálise dos contos de fadas – Bruno Bettelhein), eu fui explicar para ela que era justamente o que eu estava começando a escrever.

Hoje uma das causa que eu também atribuo o nosso sofrimento, infelizmente se chama “CONTO DE FADAS”, a gente cresce lendo “estórias” (infância nossa principal fase de formação da personalidade), assistindo desenhos tipo, Barbie com o final: “E FORAM FELIZES PARA SEMPRE”, será que é realmente isso que acontece? As meninas crescem acreditandoque a vida de princesa é aquela, bonita, educada, sem problemas, pássaros pousando nos ombros ao entardecer, projetando aquele príncipe ideal, vida ideal, casamento ideal, filhos ideais... Será realmente assim?

                Para os meninos que crescem ouvindo que tem que ser fortes, corajosos, educados, gentis não podem chorar, não podem expressar suas dores, mas se chorar está comprovado biologicamente que alivia as dores, porque está associado à fraqueza?!!! Por isso esses índices tão altos de suicídio entre homens, mulheres tentam mais, homens tem mais sucesso; homens morrem mais por doenças que podem ser evitadas, basta procurar ajuda.

                Para completar na adolescência e vida adulta fortalecemos essas crenças que em nós estão arraigadas através das novelas, interessante que semana final de novela a audiência sobe. Por que será? Porque queremos ver os maus se dando mal e os bonzinhos casando, tendo filhos, os sofredores dando a volta por cima e sendo” MAIS UMA VEZ FELIZES PARA SEMPRE”.

                Só que acabamos por esquecer que com isso estamos tornando nossas relações líquidas como defende Zygmunt Bauman,porque com essas crenças criamos expectativas para com os outros, e por sua vez queremos que eles as cumpram, no entanto elas não são dele, SÃO NOSSAS,e não tem como alguém realizar algo que é nosso!

                Relacionamentos são construídos, há muitos desafios, frustrações, decepções, estas infelizmente não são causadas pelo outro, mas pela ideia que nós fazemos deles: pais ideais, filhos ideais, namorados/ maridos perfeitos, trabalhos ideais, profissões ideias... NÃO EXISTEM.

                Temos que aprender a desenvolver a nossa RESILIÊNCIA, nossa capacidade de recomeçar, de reconstruir nossas relações; até mesmo porque dependendo da relação não temos como trocar de pai, de mãe, de filho... e se for trocar de esposa, de marido, de emprego, saiba que toda escolha gera uma renúncia, tudo tem ÔNUS e BÔNUS. Então temos que ser inteligentes.

                Outra, o ser humano, na maioria das vezes, é recíproco, ou seja, ele dá o que recebe. Então eu te pergunto. Você está contente com o que está recebendo? Caso não, o que pode fazer para mudar essa situação?

PS. Não sou contra contos de fadas, novelas, etc.; para cada idade de desenvolvimento do ser humano são orientadas certas leituras, este texto é para fazer uma reflexão para nós adultos, que na maioria das vezes não refletimos sobre tais temas e queremos continuar orientando nossa vida e nossos relacionamento através destas crenças que devem ser ressignificadas, reinterpretadas, reelaboradas de acordo com as situações vivenciadas.

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