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Precisamos falar sobre gravidez na adolescência

Leia a coluna da psicóloga Glícia Moura sobre esse delicado e importante tema.

28/01/2020 18h04 Atualizada há 9 meses
Por: Redação
Precisamos falar sobre gravidez na adolescência

A adolescência é um período conturbado por si só. É um turbilhão, são muitas mudanças, explosão de hormônios, busca de identidade, descoberta da sexualidade, de novos prazeres e mudanças no papel social (não se é mais criança, porém ainda não é adulto). Alterações corporais (aquele “bendito” estirão – no qual crescem mãos, pés, orelhas, nariz, seios, eles se sentem um “extraterrestre”, por vezes caí à auto estima, sofrem bullyng em alguns ambientes), surgem espinhas, alterações no cabelo, na voz... Jesus!! Como administrar tudo isso? Fora as dúvidas, desentendimentos, irritabilidade, vive-se ao extremo, tudo é uma tempestade em copo d’água (gosto de comparar a novelas mexicanas).

Em meio a tudo isso, nossos adolescentes ainda tendem a se afastar dos pais e se aproximam dos amigos com os quais se identificam mais, formando as turminhas, buscando fazer de tudo para se tornar parte do grupo (muitas vezes sem vontade, mas para não serem excluídos, terminam cedendo aos comportamentos em comum como: uso ou abuso de álcool e outras drogas, automutilação e até início da vida sexual), sendo aí que mora o perigo!

Esses comportamentos de risco geram consequências para o resto da vida, e um deles é a gravidez na adolescência que, segundo a OMS em 2018 alcançou 68, 4%, geralmente por não serem planejadas acabam tendo como consequências abandono dos estudos, menores chances de inserção no mercado de trabalho, além de gerar ansiedade, riscos de pré-eclâmpsia, depressão pós-parto e às vezes até tentativa de suicídio, elevando os riscos de morte da mãe e da criança. As adolescentes têm vergonha de buscar ajuda, não vão às consultas de pré-natal, não se sentem apoiadas.

E nós, pais, por vezes esquecemos que já passamos por tudo isso, ou, dizemos: “na minha época não era assim”, mas perceberam que também não tínhamos tantos estímulos assim? São celulares, redes sociais, séries diversas, o tempo mudou, as situações mudaram e precisamos reconhecer!

Quando ocorre uma gravidez na adolescência, “o leite já está derramado”, não se pode mais fazer nada, o que devemos fazer é apoiar os nossos filhos, ouvir, acompanhar. Como dito anteriormente, o período de adolescência é uma fase complexa e marcante na vida das pessoas. Alguns chegam a denominar infelizmente de “arborrescência”, outros autores como “Síndrome normal da adolescência”, imagine tudo isso somado a outra tempestade de hormônios e alterações chamada GRAVIDEZ! Vamos acolher os nossos filhos, eles são barcos, mas precisam saber que somos o porto seguro, que podem contar conosco sempre que necessário!

Texto: Glícia Moura – psicóloga, especialista em Saúde Mental, terapeuta cognitivo comportamental

Créditos da correção: Thaís Amélia Araújo, Mestra em Letras (UESPI).

Edição: Portal B1

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