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Piauienses estudam o Jaborandi como arma contra a Covid

Texto de Francisco Soares, coluna Ciência Viva, site Cidade Verde.

13/01/2021 10h43 Atualizada há 3 meses
Por: Redação Geral
Piauienses estudam o Jaborandi como arma contra a Covid

Mais uma pesquisa desenvolvida por cientistas radicados no Piauí aponta resultados positivos contra o agente causador da COVID-19, o coronavírus SARS-CoV2. Agora, compostos extraídos de uma planta já fortemente usada pelos laboratórios farmacêuticos europeus e bem comum nas matas do Piauí e do Maranhão: o jaborandi.

A descoberta veio do grupo de Química Quântica Computacional e Planejamento de Fármacos (QQC&PF), liderado pelo Prof. Dr. Francisco das Chagas Alves Lima. O grupo já trabalhou com compostos extraídos do buriti, o que gerou grande repercussão nos meios de comunicação graças ao post publicado pelo Ciência Viva. Relembre aqui.

Desta vez o objeto de pesquisa são substâncias extraídas da planta Pilocarpus microphyllus Stapf ex Wardleworth, conhecida no norte e nordeste do Brasil pelo nome popular do jaborandi. Esta planta, que é da família botânica das Rutáceas (mesma família da laranja e do limão) já é amplamente usada na medicina, especialmente em função da extração de substâncias como a pilocarpina, usada para reduzir a pressão intraocular, no controle do glaucoma. Mas de uma forma geral o uso do jaborandi vai além de doenças oftalmológicas: é usado contra gripe, febre, inflamação, pneumonia, asma, diabetes, reumatismo, dentre outras doenças.

O estudo foi publicado pela revista Molecular Simulation com o título original de “In silico study of the interactions of Pilocarpus microphyllus imidazolic alkaloids with the main protease (Mpro) of SARS-CoV-2”. Trata de um estudo in silico, no qual são feitas simulações computacionais utilizando a estrutura de moléculas extraídas da planta. Foram testadas 10 moléculas da planta: pilosina, isopilosina, epiisopilosina, epiisopiloturina, pilocarpina, isopilocarpina, pilocarpidina, isopilocarpidina, pilosinina e 13-nor-7(11) -dehidro-pilocarpina. Destas quatro mostraram maior afinidade em se relacionar com a Mpro, uma protease encontrada no capsídeo viral do SARS-CoV2. Foram elas: Epiisopiloturina (EPR), Epiisopilosina (EPS), Isopilosina (IPS) e Pilosina (PS).

Eu conversei com o Prof. Francisco Lima, que me explicou que estes quatro compostos possuem uma interação muito forte com a enzima Mpro, uma protease que constitui o spyke do vírus da COVID-19. “O artigo traz na tabela 4 os parâmetros de afinidade molecular entre as substâncias do jaborandi e a enzima do vírus”, explicou Chicão, como é mais conhecido o Prof. Francisco Lima, no meio acadêmico. O artigo foi publicado pelos pesquisadores Ézio Sá (IFPI), Allan Costa (IFPA), Rayla Costa (UESPI), Janilson Souza (IFMA), Ricardo Ramos (IFPI) e Francisco Lima (UESPI).

O estudo publicado tem o importante papel de indicar que as substâncias do jaborandi são promissoras no desenvolvimento de fármacos contra a COVID-19. Entretanto, a etapa concluída (In Silico) requer continuidade em etapas In Vitro (testes laboratoriais) e In Vivo (testes com cobaias vivas). Assim, embora seja uma notícia alvissareira, ainda serão necessários muitos estudos para obtenção de algo mais efetivo contra a doença. Ao publicarmos estes resultados, nossa intenção é valorizar o trabalho feito por pesquisadores que obtêm resultados formidáveis com poucas condições de trabalho. Outro objetivo seria deixar os tomadores de decisão envergonhados. Acho que este segundo objetivo não é tão bem sucedido assim, mas tá valendo.

Avante, ciência!

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